25/01/2015

NOVENA PARA PAULISTA




Paulista

de príncipes e tísicos
sangue de preto
desde o princípio
alicerça edifício

Paulista

hoje
menos
longe
está no corte, no relo
no ralo,
se alcança em boa pipa
desbicada rente  ao chão

Paulista

marco zero da desigualdade
bolha imobiliária
pus incendiário de favela
valoriza sangue,
trena
e terra

Paulista

minha querida,
peço um só minuto de sua vida
esqueça a velha brincadeira
séria de todo dia
onde está
oWholy negróide?

Paulista

no almoço comercial
sou demais feijão
destaque no branco prato
sou contínua visão
do povo revolucionário

Paulista

e sua agenda:
o transito demente
separação suburbana,
religião diletante
católica, umbandista e protestante

Paulista

vaso de sete ervas
sal à gosto, nas portas
com gosto
nos cantos das lojas
quebra agouro

Paulista

novamente
a encarapinhada pendurada na janela
no quarto ao lado
patroa chora
reprise da novela

Paulista

o novo andaime leva o peão
no tabuleiro envidraçado
na altura do rei
da torre de celular
peça preta
que luta 
para não perder a vez