25/09/2015

Quilombaque - 10 anos de resistência

Semana de Aniversário Quilombaque

10 anos de resistência 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA 
1º Dia – 21 de setembro (segunda-feira)
19h – DEBATE " Lei de Fomento às periferias", com apresentação e discussão da lei/ Comunidade Cultural Quilombaque, Travessa Cambaratiba, 5, ao lado da estação da CPTM

2º Dia – 22 de setembro (terça-feira)
20h –  JONGO do Coreto, com participação dos Filhos da Semente (Jongo de Indaiatuba)/ Pça. Inácio Dias (em frente à estação de trem da CPTM – Linha 7-Rubi).


3º Dia – 24 de setembro (quinta-feira)
19h – CINEQUILOMBO – "Contra o genocídio da Juventude Preta", com participação de Dougas Belchior/ Comunidade Cultural Quilombaque

4º Dia – 25 de setembro (sexta-feira)
20h – SARAU D'Quilo, com Marins Godoy, Sergio Ballouk – Da Ponte pra lá – causando em Buenos Aires/ Comunidade Cultural Quilombaque

5º Dia – 26 de setembro (sábado)10h – Feira de Artesanato/ com participação de "Os Crespos (teatro), Théo Silveira (percussão) e Grupo de samba "Samba 3"/ Pça Luís Neri (próxima à Av. Dr. Silvio de Campos)

6º Dia – 27 de setembro (domingo)A partir das 14h na Praça Inácio Dias
Realidade Cruel (Rap)
Nazireu Rupestre (Reggae)
Ballet Afro Kotteban
Samba do Congo
Jazz na Kombi (Chaiss Quinteto)
Charlis Abraão (MPB)
Esquadrão Arte Capoeira
Dandara (Contação de História)
Bonga e Guetus (Graffitti)
VL (Mc) e Clevinho (DJ)
Serviço
Aniversário de 10 anos da Comunidade Cultural Quilombaque
Data: de 21 a 27 de setembro
Locais:Sede da Comunidade Cultural Quilombaque, Travessa Cambaratiba, 5. Perus (ao lado da estação de trem da CPTM)
Praça Inácio Dias, Perus, em frente a estação de trem de Perus da CPTM 9Linha 7- Rubi).
Praça Luis Neri (próxima à Av. Dr. Silvio de Campos)
Site: http://comunidadequilombaque.blogspot.com.br/ 
Facebook: https://www.facebook.com/quilombaque 

extraído do site: https://movimentofabricaperus.wordpress.com/2015/09/21/comunidade-cultural-quilombaque-comemora-10-anos-de-resistencia-em-perus/

05/08/2015

O MONITOR




O MONITOR


Outro dia

enquanto a internet me distraia
e ora me consumia
pude ver
em movimento rápido
improvável acaso
um bisturi
em forma de foice
sangrava meu nariz
minha boca
meus quadris
minha cútis
placidamente...
perfurava meu crânio
retirava meu chip
made in africano
códigos binários
centenários,
modus operandi
de minha interna revolução
aconteceu outro dia
enquanto a internet me consumia

Publicado na Antologia Sarau da Brasa Vol. IV  ( 2012)

23/06/2015

Virada Cultural 2015 - Muito Prazer!

Virada Cultural 2015 -  Sarau Afro Mix e Elo da Corrente

Tive o prazer de comungar a palavra com os parceiros do  Sarau Afro Mix do Quilombhoje Literatura e, na madrugada, com Sarau Elo da Corrente, Quilombaque e D'Quilo.Máximo respeito a todos os envolvidos. E digo mais... Inesquecível! Momentos desses deixam o energético da poesia atuando em minha mente por dias e dias.






























Sarau Elo da Corrente, Quilombaque e D'Quilo










19/06/2015

LINKANDO BARRIGAS


LINKANDO BARRIGAS

Para Vitória Naila 

da curva da asa da graúna
em pleno ventre das nuvens
avistei nos olhos pintados na borboleta
uma filha
em voo de semente
sopro da diáspora Africana
gravidez inter continente

que reverberra em cordão virtual
outras conchas atabaques
linkando múltiplas barrigas
de linhas mais que nigras
novas conexões de fibras carapinhas

e nesses ecos acarinhados
ressurgem palavras de mãe:
traz guaraná
Ibejada quer mais

16/06/2015

Por que precisamos de escritoras e escritores negros?



Ou porque precisamos reconhecer institucionalmente mais escritoras e escritores negros.
É comum ouvir dizer que ninguém mais lê ou que a literatura tem muito pouca penetração comparada a outras formas de expressão, como a televisão, o cinema, a música ou o jornalismo. No entanto, a literatura continua tendo uma legitimidade especial. É ela que está nos currículos escolares; é ela que é considerada o veículo por excelência da manifestação de nossa identidade como povo e nação. Se a literatura brasileira é lida por poucos (e, na verdade, talvez não sejam tão poucos assim), o prestígio social de que desfruta é sustentado mesmo por aqueles que não a leem. O escritor ainda não perdeu a posição que obteve no século XIX: em suas palavras se busca encontrar o espírito de um tempo e a voz de uma coletividade.
Mas esta função, considerada tão elevada, é desempenhada por pessoas que, como todas as outras, refletem suas próprias trajetórias e suas circunstâncias peculiares. A voz que a literatura nos apresenta é a voz de seus escritores. E, no caso do Brasil, esse é um grupo bastante homogêneo. Nosso cânone literário é feito de brancos, de negros que não são vistos como tal (caso de Machado de Assis) e de negros deixados às margens (como Lima Barreto ou Cruz e Sousa). Se a literatura contribuiu historicamente para formar a identidade da nação brasileira, contribuiu seguramente para embranquecê-la.
Hoje a situação mudou, mas não tanto quanto seria necessário. Muita gente escreve, mas nem tudo que é escrito ganha status de literatura: aquilo que está nas livrarias é comentado nos suplementos culturais dos jornais, vence os concursos patrocinados pelo Estado, participa das feiras literárias, entra nos currículos das escolas e das universidades. Quando olhamos para essa produção (aquela que é aceita socialmente como sendo a "literatura"), observamos que ainda há muito mais homens do que mulheres, que quase todos dispõem de título superior, que a grande maioria reside no Rio de Janeiro ou em São Paulo. E, também, que são quase todos brancos. Uma pesquisa que analisou os romances publicados pelas maiores editoras brasileiras, de 1990 para cá, revelou que menos de 5% dos autores são pretos ou pardos.
Se os escritores brasileiros reconhecidos como tal possuem um perfil tão homogêneo, não é de se estranhar que suas personagens se pareçam tanto com eles, deslocando-se em um universo narrativo no qual as ausências, talvez ainda mais do que aquilo que se expressa, refletem algumas das características centrais da sociedade brasileira. É o caso, justamente, da população negra, que séculos de racismo estrutural afastaram dos espaços de poder e de produção de discurso. Assim como são poucos os autores e autoras negros publicados pelas grandes editoras, são poucas, também, as personagens negras que frequentam nossa literatura. Isto sugere uma outra ausência, desta vez temática: o racismo. Se é possível encontrar, aqui e ali, a reprodução paródica do discurso racista, com intenção crítica, ficam de fora a opressão cotidiana das populações negras e as barreiras que a discriminação estrutural impõe às suas trajetórias de vida. O mito persistente da "democracia racial" elimina tais questões dos discursos públicos, incluindo aí o discurso literário.
Isso empobrece a visão de mundo que a literatura brasileira fornece a seus leitores, o que tem repercussões amplas. Afinal, a literatura pode oferecer um acesso a diferentes perspectivas sociais, mais rico e expressivo do que, por exemplo, aquele proporcionado pelo discurso político em sentido estrito. Por isso mesmo, é um território em disputa, onde está em jogo a possibilidade de dizer sobre si e sobre o mundo, de se fazer visível dentro dele. Ignorar essas reivindicações em torno do literário costuma ser uma maneira de reafirmá-lo como um atributo sobrenatural e trans-histórico, fruto de um "talento" que se fixa em alguns indivíduos especiais, em vez de ser uma prática social, que tem a ver com a produção de hierarquias que beneficiam alguns e excluem outros.
E é por isso que precisamos de escritoras e escritores negros, porque são eles que trazem para dentro de nossa literatura uma outra perspectiva, outras experiências de vida, outra dicção. Na sociedade brasileira, a cor da pele – assim como o gênero ou a classe social – estrutura vivências distintas. Precisamos de mais negras e negros, moradoras e moradores da periferia, trabalhadoras e trabalhadores escrevendo, não para coletar um punhado de "testemunhos" (o nicho em que em geral são colocados), mas para que sua sensibilidade e sua imaginação deem forma a novas criações, que refletirão, tal como ocorre entre os escritores da elite, uma visão de mundo formada a partir tanto de uma trajetória de vida única quanto de disposições estruturais compartilhadas.
São essas vozes, que se encontram nas margens do campo literário, essas vozes cuja legitimidade para produzir literatura é permanentemente posta em questão, que tensionam, com a sua presença, nosso entendimento do que é (ou deve ser) o literário. É preciso aproveitar esse momento para refletir sobre nossos critérios de valoração, entender de onde eles vêm, por que se mantêm de pé, a que e a quem servem… Afinal, o significado do texto literário se estabelece num fluxo em que tradições são seguidas, quebradas ou reconquistadas e as formas de interpretação e apropriação do que se fala permanecem em aberto. Ignorar essa abertura é reforçar o papel da literatura como mecanismo de distinção e da hierarquização social, deixando de lado suas potencialidades como discurso desestabilizador e contraditório.
Com isso, a literatura brasileira pode – talvez – contribuir para uma visão mais plural e mais crítica do próprio país.

(*) Regina Dalcastagnè é professora de literatura na Universidade de Brasília, autora do livro Literatura brasileira contemporânea: um território contestado, entre outros.
(Imagem: Ruud Van Empel)

21/05/2015

Con_textura Negra com Oswaldo de Camargo









(Notícia resgatada do Facebook)

   
Marciano Ventura
21 de maio às 12:46
Con_textura Negra

Este é um dos projetos conduzidos pela Ciclo Contínuo Editorial em 2015 por meio do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. A iniciativa promoverá um ciclo de minicursos com a expectativa de oportunizar momentos de diálogos entre estudantes, professores, pesquisadores e pessoas que tenham interesse nos estudos sobre a literatura negra. Planejado cuidadosamente para quatro encontros (um por bimestre), os minicursos oferecerão um amplo e diversificado acúmulo de pesquisas apresentadas por investigadores, escritores e críticos reconhecidos no campo da literatura e das ciências sociais.

A primeira edição do Con_textura Negra terá como tema: “O Negro Escrito – Apontamentos sobre a presença do negro na literatura brasileira” e a formação será ministrada pelo escritor Oswaldo de Camargo. A apresentação do curso, de extrema relevância para os que se interessam pelo assunto, exporá e discutirá de forma crítica a trajetória do negro na literatura brasileira, desde o século XIX até os dias atuais.

O encontro será realizado no dia 13 de junho, sábado, das 14h às 17h30, na sede da Ação Educativa, localizada na Rua General Jardim nº 660, Vila Buarque, São Paulo. ACESSO GRATUITO -VAGAS LIMITADAS – 35 inscritos. Informações e ficha de inscrição através do email: contatociclocontinuo@gmail.com, até dia 01/06.

E por favor divulguem esse convite para colegas interessados!




03/02/2015

O tambor e a Sereia


Pedra,  parede e o quadro de pastilhas. Vejo A sereia e o tambor. Pedra sabão esculpida pastilhas agrupadas. Vejo a Iemanjá e o Alabê aludindo cantares. Signos, metalinguagem, imagem bidimensional. Canto, fé, sonhos acordos astrais. pedra, suor, ferramentas, cola, pedra quebrada, pastilha quebrada, sonhos, pedra, parede, sereia e o tambor.

25/01/2015

NOVENA PARA PAULISTA




Paulista

de príncipes e tísicos
sangue de preto
desde o princípio
alicerça edifício

Paulista

hoje
menos
longe
está no corte, no relo
no ralo,
se alcança em boa pipa
desbicada rente  ao chão

Paulista

marco zero da desigualdade
bolha imobiliária
pus incendiário de favela
valoriza sangue,
trena
e terra

Paulista

minha querida,
peço um só minuto de sua vida
esqueça a velha brincadeira
séria de todo dia
onde está
oWholy negróide?

Paulista

no almoço comercial
sou demais feijão
destaque no branco prato
sou contínua visão
do povo revolucionário

Paulista

e sua agenda:
o transito demente
separação suburbana,
religião diletante
católica, umbandista e protestante

Paulista

vaso de sete ervas
sal à gosto, nas portas
com gosto
nos cantos das lojas
quebra agouro

Paulista

novamente
a encarapinhada pendurada na janela
no quarto ao lado
patroa chora
reprise da novela

Paulista

o novo andaime leva o peão
no tabuleiro envidraçado
na altura do rei
da torre de celular
peça preta
que luta 
para não perder a vez