18/11/2014

QUILOMBHOJE E O CROWFUNDING




Campanha do Quilombhoje para realizar o Cadernos Negros 37 através Crowfunding ou  financiamento coletivo ou Vaquinha pela internet. Muitos nomes mesma intenção. Clique no KICKANTE  e participe. Some nesta causa e comemore Trinta e Sete anos de muita luta! 

Acesse:



(Divulgação)

Um dos trabalhos que mantém viva a literatura afro-brasileira é a série Cadernos Negros, que neste ano caminha para o volume 37.
É isso mesmo! São 37 anos dando visibilidade a textos, autores e temas que dizem respeito ao Brasil como um todo.
Sabemos que essa trajetória tem sido construída com garra e determinação. Para manter a série viva é necessário muita criatividade em todos os sentidos, tanto nos textos quanto na produção e lançamento de cada livro.
O volume 37 será de poemas.
Neste ano estamos lançando uma campanha de crowdfunding, para a qual solicitamos a colaboração de todos. Basicamente essa campanha convoca todos aqueles e aquelas interessados e interessadas em colaborar para que os poemas de autores e autoras venham à luz. Também permite que cada leitor e leitora adquira antecipadamente o livro.
Para que a campanha tenha sucesso, será imprescindível seu apoio, adquirindo o livro em condições especiais.
A campanha já está no ar no site kickante e você pode colaborar!
Abaixo damos o endereço da campanha e pedimos que divulgue em suas redes sociais, e-mails, enfim, onde for possível.
Contamos com você!
É isso aí! Rumo ao lançamento do CN37.
Para participar da campanha, clique no link abaixo:
 Poetry for one, for all: Cadernos Negros 37 (Black Notebooks Volume 37)
Be a part of the 37th volume of the Black Notebooks series and get it before it comes out. We will be sending out this poetry around the world! And we need your and everyone’s help.
Each Black Notebooks volume comes to light thanks to a lot of effort and love. Each issue is the product of collaborative work, where all those interested contribute to the production costs.
Your support will enable this series to reach even more people. Each volume includes a different group of writers; some who previously published with us, others who publish for the very first time. Odd numbered volumes are short stories, and uneven volumes include poetry.
The Collective Quilombhoje coordinates and produces the series in São Paulo. Our objective is to publish enough books to reach thousands of people. For that reason, we need to produce the next number in the best way possible.
With today’s technology, we were motivated to lean on opportunities to use a platform or certain tools to help those writers publish–and decided to turn to ‘crowdfunding.’
And here we are.
This collective financing campaign is a way for us to invite others to contribute to our already collaborative series. And to have people like you help keep the series alive. This movement will make our writers collective’s circle bigger, with a wider ripple effect. With your help, we can have readers receive the book earlier than expected, and we can reach others who wouldn’t know us otherwise.
We have a firm belief that you would be willing to be a part of our history. Join us, help us!

08/10/2014

OCUPAÇÃO PRETA



OCUPAÇÃO PRETA no Centro Cultural da Penha

14h – Rodas de conversa: O escritor negro e a literatura na atualidade

Luciana Campos – Mediação
Professora, mediadora de leitura

Márcio Barbosa
Um dos coordenadores do Quilombhoje Literatura, pesquisador. Realizou as entrevistas e os textos do livro Frente Negra Brasileira. E foi um dos responsáveis pelo vídeo documentário e livro “Bailes”

Paulo Rafael
Autor do livro “O mundo cá tem fronteira: uma aventura Brasil - Cabo Verde” lançado em 2013. Historiador, desenvolveu pesquisa para documentários, educador na PUC-SP, na Secretaria dos Direitos da Criança e do Adolescente de São Paulo, na comunidade de Heliópolis, em São Paulo, em Cabo Verde, na África, e também aqui no Brasil com crianças em situação de rua.

Elizandra Souza
Poeta, Jornalista, Editora da Agenda Cultural da Periferia na Ação Educativa, locutora da Rádio Comunitária Heliópolis FM.Co-organizadora da Antologia Pretextos de Mulheres Negras com Carmen Faustino e textos de 20 poetisas negras. Autora do livro de poesias Águas da Cabaça.
Co-autora do livro de poesias Punga com Akins Kintê (Edições Toró,2007) e participação em revistas e antologias literárias como Literatura Marginal – Ato 3, Cadernos Negros, Negrafias, entre outras. Idealizadora do evento Mjiba em Ação – Comemoração ao Dia da Mulher Negra (25 de julho). Poeta do Sarau da Cooperifa desde 2004. Editora do FanzineMjiba (2001-2005).



16h30 – Intervenção: Literatura em movimento: encontro de Saraus

Quilombhoje Literatura e Sarau Afro Mix
Originado nas rodas de poemas promovidas pelo Quilombhoje nas décadas de 80 e 90, o Sarau Afro Mix foi criado no ano de 2002 na cidade de São Paulo e pode-se dizer que precede um movimento que tomou corpo e que hoje coloca um sopro de novidade na cultura brasileira, que são os chamados saraus "periféricos". As edições do Sarau Afro Mix reúnem não só autores que publicam na série Cadernos Negros. O Sarau Afro Mix é um espaço onde podem se reunir pessoas interessadas em declamar, ler suas poesias ou de outros autores e autoras, além de agregar outras linguagens artísticas. Espaços como esse precisam ser fomentados, incentivados, já que numa cidade com a dimensão de São Paulo eles são realmente necessários para a população em geral. Isso se torna mais urgente se pensarmos em termos de cultura afro-brasileira, para a qual os espaços são mais difíceis de serem encontrados, já que a própria cidade tende a deixar os produtores culturais negros na invisibilidade. Por fim, o Sarau é um espaço de convivência, que dá a oportunidade de os presentes expressarem poeticamente as angústias e alegrias do cotidiano. Dessa forma, é também uma oportunidade de fomentar a literatura afro, divulgar novos talentos e a reflexão sobre a própria história e literatura do negro.

O que dizem os umbigos
O Sarau “O que dizem os Umbigos?!" nasce da pergunta que leva o seu nome e sua ideologia: “ O que dizem os Umbigos?”
Podemos ver que em tempos atuais,que são regidos pela cultura de massa televisiva e tecnológica, as relações humanas partem cada vez mais para o âmbito individual, e acabamos nos distanciando cada vez mais do diálogo, da troca de experiências e do exercício da escuta; é nesse momento que entramos em cena para fazer a pergunta que estimulo o mover:” O que dizem os Umbigos?', com o intuito de que paremos um pouco de “olhar para os nossos umbigos e passemos a dialogar com o umbigo do outro”.

Portas Abertas
Patrícia Cândido, liberta do cárcere, com coração em chamas e projeto nas mãos, fez nascer no dia 27 de Abril de 2013, no bairro dos Pimentas em Guarulhos, numa cozinha o “Sarau Portas Abertas". Com o intuito de promover a arte, cultura e educação e mostrar à população do bairro que o tráfico e a criminalidade não são as únicas opções de vida. O Sarau cresceu e saiu da cozinha. Hoje firma-se na rua para cumprir o desejo de ver a "Mulecadinha" se envolver com a poesia.


18h – 21h Penharol convida Bê O e Rincon Sapiência

26/09/2014

Sarau Elo da Corrente - Sesc Campo Limpo

Quem estiver de boa apareça no Sesc Campo Limpo para participar do Sarau. Traga sua poesia, coração e amor!


13/09/2014

Ninguém segura essa mulher - Alice Walker


Ninguém segura essa mulher, de Alice Walker


Quando chego no sebo a procura do livro, estranhamente tive que insistir com o vendedor pra procurar com afinco. Apontava no site três números do livro e a esposa-funcionária não encontrava pelo sistema do computador. Insisti. Insisti tanto que o marido-funcionário buscou um exemplar do livro de contos pedido e outro de “ A Cor Púrpura”.
Desconhecia a produção de contos, e  no segundo texto confirmei que se tratava de um grande livro, daqueles que mudam sua perspectiva de criação de narrativa, personagens, sempre recheado de muito prazer de ler o livro. Que bom! Grata leitura, como gosto disso.Vamos aos contos. Epa! Não vamos não. Vou apenas pitacar brevemente sobre dois.

1955: Gracie Mãe Still, cantora e compositora  de uma canção arrebatadora comprada os direitos por Traynor, sucesso imediato na voz do rapaz branco. O conto trata da simpatia entre os dois com o passar do tempo e o desconhecimento do significado, intenção, motivação da música cantada por Traynor. Inesquecível!

Como eu consegui matar um dos mais importantes advogados do Estado? Foi Fácil:
É. Esse é o nome do conto. Narrado em forma de depoimento conta a história de uma menina abusada sexualmente pelo “patrão” de uma família onde sua mãe trabalhava de empregada doméstica, ou melhor, “casas particulares”. Estupro, sedução de menor, tema posto no livro e tratado sem pena, fraqueza comedida, e com maestria de Alice Walker, fortalecendo personagens e suas
histórias. 

É isso. Boa leitura!

11/09/2014

Aí o Pelé...





Aí o Pelé lembra do passado e diz que enquanto jogador era ofendido e tudo bem. Curvava a espinha, recolhia sua dignidade levantando as meias de algodão branco e pouco elástico  e esperava o racismo passar, esperava, esperava...
 Muitos seguiram o método Pelé nas ruas, escolas... Compreensível. Afinal, ele era o REI do futebol e as crianças, os mortais negros, aguardavam uma única palavra, um gesto sequer. Hoje todos sabemos que o método Pelé só fortalece o sistema racista. E ele, guardião do método, procura por discípulos e pune os revoltosos. Triste.  Já a minha vó que nem do  Pelé gostava, mineiramente,  entre um causo e outro, ensinava gestos, palavrões e rebeldias para usarmos dentro e fora do futebol.

31/08/2014

01/04/2014

Rito Cartorial






RITO CARTORIAL


apertando minhas contas e firmas
afirmo
e faço minha fé pública
meu rito cartorial
meu grito ancestral
meu nome
rebatizo
alcunha africanizo
riscado em meu físico
em minha palma
poema e pólvora
queimados
minha alma como testemunha
fulgura minha lavra
meu chão batido
encaminho registro
a Palmares

28/03/2014

CAROLINA MARIA DE JESUS : 600 - 10.000 - 100.000

CAROLINA MARIA DE JESUS :  600 - 10.000 - 100.000



Estamos no centenário de Carolina Maria de Jesus escritora que se fez existir ao mundo graças ao seu livro best sellers, Quarto de despejo, e continua existindo no Brasil através de nossa batalha cotidiana e ininterrupta. (Este excerto abaixo faz parte do texto que apresentei no IV Colóquio Afroamerica em UNAM - México 2012 )


Carolina Maria de Jesus nasceu em 14/03/1914 em Sacramento- MG,  mãe de três filhos: Faleceu  13/02/1977, com 62 anos.  No Colégio Allan Kardec, primeiro colégio espírita do Brasil — estudou pouco mais de dois anos. Em 1930 muda-se para o Estado de São Paulo, cidade de Franca juntamente com a mãe. Sete anos mais tarde, com o falecimento de sua mãe, muda-se para cidade de São Paulo, onde nascem seus três filhos, e ganha a vida, de doméstica à catadora de papel, agora moradora da favela do Canindé.
Da dedicação e amor a seus filhos, lembranças da família, vida diária de uma moradora de favela, desafios de sobrevivência digna, assim nasceu sua obra prima Quarto de Despejo- Diário de uma favelada. Obra envolta em polêmica quanto à participação do jornalista Audálio Dantas. Durante matéria sobre a favela do Canindé, o jornalista conhece Carolina e com a aproximação passa a publicar trechos de seu diário, até culminar com a publicação do livro em 1930.  Resultando em números exuberantes que destacam este livro como recordista de vendas para época: no lançamento 600 exemplares, na primeira semana 10.000 exemplares e no primeiro ano 100.000, traduzido para mais de 15 línguas e vendido para mais de 35 países.
O lado humano de Carolina, na criação de seus filhos, insegurança, esperança, solidão, amor,  temas comuns vistos em outros livros, são relegados a um tema único: início da modernização da cidade de São Paulo e da criação de suas favelas.
Em entrevista cedida ao jornal Folha de São Paulo, em 23/10/2010, a escritora Sapphire, creditou parte da construção da protagonista Preciosa, que dá título a seu livro transformado em filme, a escritora Carolina Maria de Jesus, e seu livro Quarto de Despejo. 
"Eu dava um curso baseado em diários de mulheres, Virginia Woolf, Sylvia Plath, Frida Kahlo e Carolina Maria de Jesus. Os das brancas eram introspectivos. O dela falava de classe, raça, luta por comida para os filhos”.Conclui Sapphire, dizendo-se estarrecida com o desconhecimento da escritora no Brasil.  E é este  sentimento que fica nos dias de hoje. 

21/03/2014

RETORNO DO AMOR




RETORNO DO AMOR

se você voltar
toda vez um pouquinho
para sentir o mar
relaxar na beira
barra dobrada, chinelo na mão
sinta a calmaria que irradia na ponta do pé

se você voltar
toda vez um pouquinho
ouça o canto de marinheiro
que vem de longe
respire
só mais uma vez
respire
e onde quer que você esteja
o mar chegará até você
calmo, sereno
o mar te leva a estudar
pelos caminhos das estrelas
e se voltar, meu amor
traga um pouquinho de sua vertigem
de sua areia fina
de sua brisa de ondinha
e suba pela minha canela
e deixe que eu respire
só mais uma vez...

18/03/2014

retornando os trabalhos.

Tem certo tempo que não apareço por aqui. Falta de tempo, falta de esforço,  falta de esforço para fazer o tempo. O tempo é nosso, mas às vezes, devo dividi-lo com mulher, filhos, mãe, festas, trabalhos escolares, trampos... epa, chega de choradeira. Estou voltando e ponto. Não vou prometer nada pra ninguém, do tipo assim “eu nunca mais deixarei este blog, blá, blá, blá.” Deixo por ora um poema e a vontade de continuar continuando e lutando por dias melhores. Simbora.

SOUVENIR
e o sangue continua a correr pela calçada...
é mais uma alma que patina
até a sarjeta
a guia
se vai da terra como bituca pelo bueiro
-a linha da vida rompida em punhos pretos-
nas veias do cimentado
deslizam cápsulas de aço niquelado
feliz souvenir de garotos
a caminho do pão e do leite