12/10/2013

NOTA DE REPÚDIO - Racismo Brasileiro Em Frankfurt




#OgumsToques

#RacismoBrasileiroEmFrankfurt: NOTA DE REPÚDIO PELA AUSÊNCIA DE ESCRITORXS NEGRXS NA LISTA DXS 70 AUTORXS BRASILEIRXS FEITA PELO MINISTÉRIO DA CULTURA DO BRASIL PARA A FEIRA DE FRANKFURT 2013

O Coletivo Literário Ogum’s Toques Negros e xs escritorxs negrx-brasileirxs subscritxs vêm, com esta nota, repudiar a ausência quase absoluta de autorxs negrxs entre xs selecionadxs para representarem a Literatura Brasileira na Feira de Frankfurt, edição 2013. Entre as diversas preocupações deste Coletivo Literário, encontram-se a divulgação e o cultivo da memória dxs artífices da literatura negro-brasileira, principalmente xs que começam a publicar a partir dos anos 1970 e já ganham amplitude nacional e internacional na década seguinte. Além disso, visa contribuir com a possibilidade de que novos nomes possam emergir, a despeito das dificuldades colocadas não só pelo mercado editorial, mas, infelizmente, por cerceamentos oficiais como o exposto aqui, já que a Feira alemã, dentre xs 70 escritorxs escolhidos, conta apenas com um escritor negro, Paulo Lins.
O diário alemão “Süddeutsche Zeitung” denuncia que a lista realizada pelo MinC não mostraria a diversidade da produção literária brasileira (Matéria do Segundo Caderno do jornal O Globo, de 02/10/2013), e pergunta à delegação oficial brasileira sobre os critérios adotados para elaboração da mesma. Os argumentos apresentados pelo curador Manuel da Costa Pinto de que privilegiou o mercado editorial brasileiro, “não se rendeu a critérios extraliterários” e “não usamos cotas” são facilmente refutados.
O Ministério da Cultura está submetido ao Estatuto da Igualdade Racial, no qual se caracteriza como discriminação racial ou étnico-racial “toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objetivo anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou privada”. Fundamental enfatizar que este MinC é responsável pelo acompanhamento da implementação das leis nºs 10.639 e 11.645, portanto não constitui exceção na obrigação de promover políticas culturais e educacionais de difusão da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena, e isso, indubitavelmente, passa por uma política editorial que contemple de forma efetiva a diversidade que o MinC adota como discurso.
As alegações da Ministra da Cultura do Brasil são ainda mais criticáveis, pois demarcam uma “ignorância oficial” nociva, fonte de um racismo institucional que opera de modo a legitimar a exclusão étnica que aqui revelamos. Além de dar a entender e verbalizar uma espécie de estágio ainda embrionário da literatura negra, expressando que quem sabe num futuro teremos mais autores negros em um evento de grande porte como a Feira de Frankfurt, a ministra afirma literalmente à Folha de S. Paulo (2/10/2013) que: “o critério não foi étnico, o critério foi outro e eu achei correto. O primeiro era a qualidade estética, depois autores que tivessem livros traduzidos para o alemão e língua estrangeira”.
Desde a década de 70 do século XX, no Brasil, proliferam publicações individuais e coletivas de prosa e poesia, ensaios e encontros literários negros, ou seja, nos anos 1980 a literatura negro-brasileira já passa a frequentar debates acadêmicos e rasurar o cânone literário. Além disso, é atualmente estudada nos EUA, Portugal e outros países da Europa, especificamente na Alemanha. Em 1988, ano do centenário da abolição da escravatura no Brasil, foi publicada a antologia SCHWARZE POESIE – POESIA NEGRA, organizada pela Profª Drª Moema Parente Augel (Universidade Bielefeld/Alemanha), em edição bilíngue português-alemão, sob a chancela da Edition Diá, St. Gallen/Köll, tendo sido esgotada a primeira tiragem em apenas três meses de circulação em solo germânico. Estão incluídxs nesta antologia os seguintes poetas: Abelardo Rodrigues, Adão Ventura, Arnaldo Xavier, Cuti, Éle Semog, Geni Guimarães, Jamu Minka, Jônatas Conceição da Silva, José Alberto, José Carlos Limeira, Lourdes Teodoro, Márcio Barbosa, Miriam Alves, Oliveira Silveira, Oswaldo de Camargo e Paulo Colina.
A antologia obtém rápido sucesso de crítica e público na Alemanha. Em virtude disso, alguns/mas dxs autorxs percorrem diversas universidades germânicas para falar sobre literatura do Brasil e a condição dx escritxr negrx brasileirx. Além disso, elxs têm textos recitados em rádios locais e até um disque-poema foi disponibilizado para xs interessadxs em conhecer a poesia dessxs autorxs. Toda essa repercussão desde aquela época é responsável pela atual edição no formato e-book da SCHWARZE POESIE – POESIA NEGRA pela editora alemã Diá e motivo de lançamento na própria Feira de Frankfurt 2013. Ou seja, uma editora alemã, com fins comerciais, publica literatura negro-brasileira na mesma Feira em que o governo brasileiro se recusa a fazê-lo, sob o argumento editorial de que não há mercado, não é rentável.
Para além do epistemicídio e do racismo institucional que tal postura desvela, a partir da violação de direitos constitucionais, acrescentamos a perversa relação que há entre as grandes editoras – capital privado –, seus catálogos e o apoio estatal evidenciado na lista da Feira de Frankfurt/2013. Por esses motivos, reafirmamos nossa posição contrária a qualquer ação ou evento que signifique e que resulte na exclusão da literatura negra nos anais culturais nacionais e internacionais.

Salvador, dia 10 de outubro de 2013

Subscrevem,

Abelardo Rodrigues
Akins Kinte
Aldair Arquimimo
Allan da Rosa
Alex Ratts
Alex Simões
Claudia Santos
Conceição Evaristo
Cuti
Deley de Acari
Denise Guerra
Dóris Barros
Eduardo Oliveira
Ele Semog
Elias Goncalves Pires
Elizandra Batista de Souza
Fabio Mandingo
Fernanda Felisberto
Francisco Antero
Goli Guerreiro
Guellwaar Adún
Hamilton Borges Onirê Walê
Hildália Fernandes
Joel Rufino
José Carlos Limeira
José Henrique de Freitas Souza
Kitabu Livraria Negra
Landê Onawalê
Lia Vieira
Lívia Natália
Marciano Ventura - Ciclo Contínuo Editorial
Mel Adún
Michel Yakini
Miriam Alves
Nei Lopes
Nilo Rosa
Oswaldo de Camargo
Paulo Roberto dos Santos
Priscila Preta
Raquel Almeida
Ricardo Riso
Rita Santana
Ronald Augusto
Samuel Vida
Sérgio Sergio Ballouk
Silvio Oliveira
Togo Ioruba
Valmiro Oliveira Nunes
Vânia Melo

17/09/2013

25 anos Fundação Cultural Palmares - Programação (20/09 Miriam Alves e Ballouk - debate)

Amigos, sexta-feira, 20/09, vou participar de uma mesa com a Miriam Alves sobre o tema "O corpo negro na Literatura". Antes assistiremos a Performance Poética da Miriam "Folhas Poéticas   Apanha folha com folha".





COMEMORAÇÃO DE 25 ANOS DA FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES
CONFIRA PROGRAMAÇÃO DE ANIVERSÁRIO EM SÃO PAULO CAPITAL E NA CIDADE DE TIETE

A Representação da Fundação Cultural Palmares em São Paulo oferece de 19 a 27 de setembro, debates e rodas de conversa em 4 eixos, são eles: “o corpo negro nas artes”; “mídia e relações raciais” e as séries “olhares de dentro” e “territórios negros na urbes paulistana”.
Temas escolhidos junto a artistas e produtores culturais negros, com objetivo de também recolher subsídios para publicações futuras a serem distribuídos para o público interessado.
 

Quando: De 19 a 26 as atividades acontecerão no Auditório MinC, 
Alameda Nothmann, 1058, Campos Elísios,
sempre às 19:00. Informações: 11 - 27664300. Participe!

19/09 (quinta-feira) às 19:00
O corpo no teatro negro – Sidney Santiago, ator, diretor / Os Crespos
O corpo negro no teatro – Lucélia Sérgio, atriz, diretora / Os Crespos
O corpo negro no fazer intelectual – Flávia Rios, Socióloga, Co-autora de Lélia Gonzales, uma biografia e Emerson Inácio, professor / USP, pesquisador em raça, etnia, gênero e sexualidade
Facilitador: Pedro Neto, Cientista Social PUC-SP e Onilu no Ilé Àse Palepa Mariwo Sesu – SP

20/09 (sexta-feira) às 19:00
Performance: “Folhas poéticas... apanha folha com folha!” Com a escritora e poeta Miriam Alves
O corpo negro na literatura – Sérgio Ballouk, escritor, autor de “Enquanto o tambor não chama” e Miriam Alves, escritora, autora de Brasilafro, entre outros
Facilitadora: Raquel Almeida, escritora, articuladora do sarau Elo da Corrente

25/09 (quarta-feira) às 19:00
Olhares de dentro: presença das matrizes africanas na cidade de São Paulo
Articulação e Coordenação: Movimento Águas de São Paulo em luta pelos direitos humanos e de cidadania das Casas de Asé e contra a intolerância religiosa

26/09 (quinta-feira) às 19:00
O caminho editorial negro – Guellwaar Adún, escritor, coordenador editorial da Ogum’s Toques Negros; Marciano Ventura, coordenador editorial da Ciclo Contínuo e Michel Yakini, escritor, articulador do sarau Elo da Corrente.
Facilitadora: Cidinha da Silva, escritora, responsável pela Representação da FCP em São Paulo

27/09 (sexta-feira), às 14:00, na cidade de Tietê
Olhares de dentro: salvaguarda das celebrações de matrizes africanas em Tietê / a Festa de São Benedito
Alessandra Gama, capoeira e articuladora do Ponto de Memória e Cultura IBAÔ
Sônia Florêncio – Coordenadora de Educação Patrimonial DAF / IPHAN – Brasília
Marcela Bonatti - Coordenação Setorial de Patrimônio Cultural / Secretaria de Cultura de Campinas
Facilitador: Wellington Alves – Articulador da Festa de São Benedito em Tietê
Endereço: Prefeitura Municipal de Tietê, J. A. Corrêa, 01, Tietê, SP. Telefone para informações: 15 - 32858755

25/07/2013

Lançamento no sarau O que dizem os Umbigos


Fotos do Sarau O que dizem os Umbigos,  Com família, gente de todo lugar do mundo. Teve também lançamento do jornal Voz da Zona Leste e show de Ba Kimbuta. Obrigado pelo carinho, abraços e real estímulo para os corres.   






a
Landys, Débora Almeida, Susi, visitante do Quênia

Cosme Alves,  Cakis e Ballouk

Lançamento Jornal Voz da Leste

Daniel  e Maria Luiza (mãe)


Cákis, Ba Kimbuta, Ballouk e frequentador do Sarau

Susi e Queila

17/07/2013

Mandela Vive!


 Mandela Vive!

Instituído pela ONU, 18 de Julho,  comemora-se o Dia Internacional Nelson Mandela.  Liah Johnes chama todo mundo para unir São Paulo às diversas comemorações no planeta  celebrando a vida do sul africano que simboliza a Liberdade, Justiça e Democracia.  



Mandela Vive
Local: Unidos do Peruche ( Cantinho do Peruche)
Av. Ordem e Progresso, 1061 - Ponte do Limão - São Paulo - SP
Horário: 18:00 às 23:00
Entrada - 1kilo de Alimento não perecível ( exceto sal)

14/07/2013

Ba Kimbuta - CD: Universo Preto Paralelo, Sergio Ballouk e Jornal Voz da Leste

(Divulgação Facebook) "Dia 20/07 tem Sarau O que dizem os umbigos?!! com Ba Kimbuta, Sergio Ballouk e Jornal Lançamento. Poetas da casa e quem quiser chegar! vamo que vamo!"


Local: GRCS - Escola de Samba Unidos de Santa Bárbara - 
Rua José Cardoso Pimentel, 1B -  Itaim Paulista - SP

08/05/2013

Memória da Noite - Abelardo Rodrigues




(do Ciclo Contínuo- Facebook) "Abelardo Rodrigues poeta e autor de Memória da Noite Revisitada e outros Poemas, a ser lançado dia 10 de maio de 2013 em São Paulo, nos fala um pouco sobre memória, literatura e criação.
Confira!
Editada por Marciano Ventura

Abelardo Rodrigues...

MINHA TRAJETÓRIA
começa com artigos publicados nos jornais O Vale Paraibano, de São José dos Campos, trabalhei no O Diário de São José, onde publiquei uma série de textos em prosa. Passei rápido pelo jornal Agora, de São José, tudo isso na década de 1970. Publiquei até um pequeno conto no antigo Notícias Populares, de São Paulo quando já morava por aqui.
Tinha alguns contos e versos rabiscados, e não pensava seriamente em poesia. Foi quando conheci Oswaldo de Camargo com quem aprendi que a poesia podia mudar corações e mentes, ou pelo menos, dar um choque em nossas consciências.
Nessa época, existia uma grande efervescência cultural: a poesia marginal, a geração mimeógrafo, livros sendo vendidos de mão em mão, tudo muito artesanal... E à margem do estabelecido, contestações do momento político que estávamos vivendo e, que estava se esvaindo. Tudo isso somado aos encontros literários com escritores negros, Paulo Colina, Cuti, o argentino Mario Jorge Lhescano, contista e tradutor de poetas cubanos, casado com uma brasileira negra e grande conhecedor da literatura de seu país de origem. Fundamos, ou criamos o Grupo Quilombhoje com a proposta de mudanças literárias, de contestar a literatura na qual nós, negros, éramos os excluídos, éramos os indesejados, invisibilizados. As coisas aconteciam rapidamente. E a poesia fluía com grande intensidade, influenciada pelas lutas de libertação dos países africanos de língua portuguesa, Angola e Moçambique, somados à nossa dor pelo sofrimento dos sul-africanos vítimas do Apartheid.
Muitas rodas de poemas, leituras dos poetas negros Áimé Cesáire, Agostinho Neto, meu poeta amado, Arlindo Barbeitos autor de Angola Angolê Angolema, que tive o prazer de conhecer quando ele esteve em São Paulo. E assim, fui caminhando. Depois, o grupo se desfez, ainda houve o Triunvirato, quizilas literárias mil, que fizeram essa literatura negra paulistana crescer ainda mais. O resto é história. E o tempo nos absolveu, a todos.

JÁ A POESIA...
quando eu escrevia textos em prosa, talvez já fosse poeta. Uma certa tristeza, uma certa melancolia, uma certa quizila com as coisas pré-estabelecidas. A poesia brotou em mim acordada por esses sentimentos do mundo, como uma pedra no meio do meu caminho. Pedra, que quanto mais eu tento removê-la, mais ela se fixa em minha alma, um vício, um ofício do meu ser. É difícil dizer quais são os "aspectos decisivos" para minha criação... A vida como ela é, como foi e está sendo para mim. Todo o meu olhar indagador para o mundo. Um baú de memória se enche de algo que precisa esgueirar-se pelas palavras: a Poesia.

NOVA GERAÇÃO
é um continuum. Nosso corpo literário que se vai estendendo, e se distendendo. Formas diferentes de ver a mesma coisa, a mesma dor, a mesma exclusão, as novas formas de sonegar verdades e meias verdades. Uma nova linguagem e ritmo incitando a nossa consciência poética e política. Porque a nossa literatura, pela própria necessidade de se dizer e questionar o status quo; é política. Esses falares e vontades de se fazer uma literatura voltada para a nossa vida e a vida de todos os brasileiros continuam com essa juventude que brande essas palavras e livros desde a periferia até o centro. Nossa literatura vai se espichando até enrolar-se no mundo. Até abraçar-se ao mundo.

TENHO LIDO
principalmente poesia. Um pouco aleatório. Sempre fui indisciplinado comigo mesmo. O Cuti, sempre me cobrou isso. Mas estou lendo os jovens poetas que chegam às minhas mãos... E outros clássicos já, como Leminski, por exemplo. Li pela primeira vez Diário de um Retorno ao País Natal, de Aimé Césaire, O Cavaleiro de Bronze e outros Poemas, de Aleksander Púchkin, Cadernos Negros, e livros de crítica literária, como Afro Descendência em Cadernos Negros e Jornal do MNU, de Florentina da Silva Ramos. Eu fiquei afastado muitos anos do contato social literário de nossa comunidade. Por isso, faço leituras esporádicas dos nossos autores e autoras. Algumas pela internet, outras em antologias. Muita coisa pra ler e quase nenhum tempo. Li também esses jovens poetas Michel Yakini de Acorde um Verso, Sergio Ballouk de Enquanto o Tambor não Chama e Negraciosa de Sidney de Paula Oliveira, Akins Kinte, que li nos Cadernos Negros. Cito também, escritoras bem representativas no cenário, como minha velha amiga Miriam Alves, Esmeralda Ribeiro, a escritora Conceição Evaristo, Cidinha Da Silva, e outras tantas que trafegam com suas palavras no universo da literatura. As coisas estão acontecendo, e isso é muito importante para a nossa comunidade, tão desprovida de voz e vez.

MEMÓRIA DA NOITE REVISTADA E OUTROS POEMAS
significa um grande salto do muro do autoesquecimento em que eu estava mergulhado - embora escrevendo e atento à vida literária - neste tempo em que estamos. A vida é criação. Suar e criar. A literatura brasileira tem que ter nosso suor, e ainda, o nosso sangue contado, mesmo que em palavras roucas; pelo frio distanciamento que a História do nosso país nos relegou."

13/04/2013

África, futuro mais que perfeito








ÁFRICA, FUTURO MAIS QUE PERFEITO


se o meu canto assenta o axé
é que deixei o pranto acabrunhado
na primeira esquina de quatro pontas
sob o olhar desconfiado
de um guardião de muita fé


se o meu canto ainda lembra Palmares
(eita saudades...)
são lembranças de uma terra que não vivi
não senti o cheiro de seus lírios
o toque do marfim nas delicadas tranças
a beleza dos seus rios
espelhando seios de mulheres lindas(e são tantas)
meu canto é fruto de sonho coletivo
futuro mais que perfeito
é cantiga feminina, nas belas vozes das tias


quero que o meu canto reúna felicidade
alvoroço de crianças
sob o solzinho da tarde
África da paz, de amor sem fronteiras
e este é o nosso canto:


"Canta pra assentar o axé, iô
canta pra espalhar o axé...''

(Sergio Ballouk -in Enqto o tambor não chama)

06/03/2013

CUTI - NA OCUPAÇÃO DO TEATRO ARENA - MELANINA ACENTUADA



Dia : 06/03 - às 19h - Quarta-feira


Transposição de Narrativas Literárias para a Dramaturgia Negra
06 de março de 2013 às 19h
Prof. Dr. Luiz Silva “Cuti” (Unicamp)



Local:
Teatro Eugênio Kusnet
Rua Teodoro Baima, 94 - Vila Buarque ( Próximo ao Ed. Copan) 
Tel. 3256-9463

saiba mais:
www.cuti.com.br
www.quilombhoje.com.br

MELANINA ACENTUADA - PROGRAMAÇÃO COMPLETA

23/02/2013

MONUMENTO




MONUMENTO
surgiu
entre a calçada
e o meio-fio da lembrança
uma mesinha de livros
baixa, empilhagem exata
na rua, quase na esquina
era toda da cor cinza
composta de agendas antigas
pastas de velhos rascunhos
fascículos perdidos
livros negros raríssimos...
do alto
para um distraído como eu
era a vista aérea da favela
ou hipotética cidade
em madrugada de domingo
a limpeza pública garantia
o devaneio deste monumento
no canto, à esquerda
sob abrigo de caixote
guardei este novo poema

"Enquanto o tambor não Chama" Sergio Ballouk

30/01/2013

CAI UM POEMA -



CAI UM POEMA


De um momento para o outro
Cai um poema não entendido
Em sua cachola caça-níqueis

era pouco o sentido
mas findo os dias pueris
pisoteado por um riso branco
retorna em refluxos de lembranças..

13/01/2013

Mostra Nova Dramaturgia da Melanina Acentuada




Em 2012 Namíbia,não! foi um dos textos selecionados para discussão pelo grupo Quilomboletras. Além das observações levantadas pelos participantes, desta vez no espaço Pombas Urbanas, na bairro Cidade Tiradentes, realizamos impagável leitura dramática do bom texto de Aldri Anunciação. Ricamente alimentada sob a ótica do protagonismo negro, dois atores encenam o extremo do racismo institucional. Quer saber mais, está muito fácil. A peça está sendo encenada em São Paulo no Teatro de Arena, Eugênio Kusnet até 17/02 dentro da Mostra Nova Dramaturgia Melanina Acentuada. O teatro fica quase na esquina da Rua Consolação. Aproveite e, enquanto espera, vá tomar um cafezinho na padaria do Edifício Copan. Confira a programação completa abaixo, tem outras peças, leituras dramáticas e palestras. Dia 16/01 tem Joel Zito Araujo, com o tema O personagem Negro na Fição Dramática. Bom divertimento.


 

O Personagem Negro na Ficção Dramática
16 de janeiro | Quarta, 19h

Prof. Dr. Joel Zito Araújo (ECA /USP)


Programação competa:
Mostra Nova Dramaturgia
 da Melanina
Acentuada

Projeto contemplado pelo edital de ocupação do Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Rua Dr. Teodoro Baima, 94, Vila Buarque, tel (11) 3256-9463

De 29 de novembro de 2012 a 7 de abril de 2013
Realização: Tô Ligado Produções │Coordenação geral: Aldri Anunciação │Coordenação de palestras-debate: Leonel Henckes │Coordenação de leituras dramáticas: Lilih Curi │Gestão financeira: Cardim Projetos e Soluções Integradas │Produção: Wellington Borges │Projeto gráfico: Autor Visual – Design Gráfico │Produção executiva: Wellington Borges


Espetáculo

 Namíbia, não! 
De 29 de novembro a 17 de fevereiro │Quinta a domingo, 20h
Realização: Tô Ligado Produções│Direção geral: Lázaro Ramos │ Texto: Aldri Anunciação │Elenco: Flávio Bauraqui e Aldri Anunciação │ Atores substitutos: Fernando Santana e Sérgio Menezes │Assistência de direção: Ana Paula Bouzas e Thiago Gomes │Direção musical: Arto Lindsay, Wladimir Pinheiro e Rafael Rocha │Supervisão artística: Luiz Antônio Pilar │Produção musical: Rodrigo Coelho e Rafael Rocha │Produção executiva: Maria Bacana, Kalik e JLM Produções Artísticas │ │Cenário: Rodrigo Frota │Figurino: Diana Moreira │Preparador de lutas: Felipe Khoury
Duração: 70 min. Recomendação etária: 14 anos | Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa



Espetáculo infantojuvenil As Paparutas
Dias 23 e 24 de fevereiro │Sábado e domingo, 16h
Texto: Lázaro Ramos │Direção: Luís Antônio Pillar │Idealização e coordenação geral: Maria Gal │ Assistente de direção: Marco Bravo │ Preparadora corporal: Juliana Nogueira │Direção musical: Alexandre Elias │ Cenário e figurinos: Ronald Texeira │Elenco: Maria Gal, Samuel de Assis, Priscilla Marinho, Renata Celidonio, Cristiane Amorim, Livia Guerra e Munir Kanaan │Direção de produção: Letícia Torgo│Produção executiva: Patrícia Freitas │Realização: Realiza! Produtora Cultural e Boa Nova Produções Artísticas
Recomendação etária: livre | Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Espetáculo O Subterrâneo Jogo do Espírito
De 28 de fevereiro a 3 de março| De quinta a domingo, 20h
Direção, dramaturgia e interpretação: Rodrigo dos Santos │Produção: Anna Paula Black, Cridemar Aquino, Sarito Rodrigues e Valéria Monã │ Direção de movimento e preparação corporal: Denis Gonçalves │ Assistência de direção: Ângela Câmara │ Cenário: Cridemar Aquino e Fátima Souza │Figurino: Rubens Barbot │Adereços: Geórgia Victor │Design gráfico: Luiz Carlos Gá │Revisão de Texto: Malu Resende │Fotografia: Silvana Marques │Vídeo: Shirley Cruz e Paulinho Sacramento
Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Espetáculo Movimento nº1: O Silêncio de Depois
De 7 a 10 de março | De quinta a domingo, 20h
Direção: Coletivo Negro │Texto: Coletivo Negro
Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Espetáculo Além do ponto
De 14 a 17 de março | De quinta a domingo, 20h
Realização: Os Crespos │Atores: Sidney Santiago, Lucélia Sérgio e DJ Dani Nega │Dramaturgia: José Fernando de Azevedo e Os Crespos│Direção: José Fernando de Azevedo │Trilha sonora, arranjos e execução: DJ Dani Nega │Direção de arte: Antonio Vanfill │Produção: Eliana Filinto e Os Crespos │ Edição de vídeo: Mario Matiello │Fotos: Roniel Felipe │Música: Ricardo Henrique e José Fernando de Azevedo
Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Espetáculo Seu Bomfim
Dias 21 e 22 de março | Quinta e sexta, 20h
Atuação, criação, direção: Fábio Vidal │Direção: Meran Vargens │Maquiagem: Marie Thauront │Cenografia e figurino: Moacir Gramacho │Formação de público e divulgação: Gabriela Sandyeggo │Produção: Emerson Cabral
Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Espetáculo Casa Número Nada
Dia 23 de março | Sábado, 20h
Direção: Fábio Vidal │ Texto: Mariana Freire e Fábio Vidal │Atuação: Mariana Freire │Trilha sonora: Luciano Salvador Bahia │Cenário: Mariana Freire │Produção: Patrícia Rammos
Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Espetáculo Sebastião
Dia 24 de março | Domingo, 20h
Autor, encenador e ator: Fábio Vidal │Orientação e colaboração dramatúrgica: Gil Vicente Tavares │Direção de arte: Moacyr Gramacho │Figurino: Silvia Costa │Direção musical: Emerson Cabral │Produção de trilha sonora: Cassius Cardozo│Programação visual e design: Clara Ribeiro e Aldo Gustavo Ribeiro│Assessoria de mídias sociais: Moisés Costa Pinto│Foto: Alessandra Nohvais│Vídeos: Tatiana de Lima│Edição de imagens: Thiago Gomes│Locuções: Evelin Buchegger │Coordenação de produção: Ilma Nascimento │Produção executiva: Viviane Jacó
Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Espetáculo Réquiem por um Sorriso ou Sobre os Palhaços na Varanda
Dias 28 e 29 de março de 2013 | Quinta e sexta, 20h
Realização: Kalik Produções Artísticas, Zé Fini Filmes │Texto: Diego Pinheiro │Elenco: Fernando Neves, Neyde Moura, Rui Manthur e Susan Kalik │Direção: Thiago Gomes │Assistência de direção: Fernanda Júlia │Cenografia: Rodrigo Frota │Figurino e maquiagem: Thiago Romero│Direção musical: Luciano Bahia│Coordenação de produção: Susan Kalik│Produção executiva: Francisco Xavier e Naiara Vieira
Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Espetáculo Siré Obá – A Festa do Rei
Dias 30 e 31 de março | Sábado e domingo, 20h
Texto: Fernanda Júlia, Thiago Romero e Cia de Teatro Nata│ Direção: Fernanda Júlia│Elenco: Daniel Arcades, Fabíola Júlia, Silano,Guilherme Silva, Marcelo Oliveira, Vânia Santana e a yalorixá Roselina Barbosa│ Músicos: Thiago Romero, Sanara Rocha, Deilton José, Cosme Lucian│ Cenário, figurino, maquiagem e programação visual: Thiago Romero│ Direção musical: Jarbas Bittencourt│Preparação vocal: Marcelo Jardim│ Preparação corporal e orientação coreográfica: Marilza Oliveira│Produção: Kalik Produções
Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa

Espetáculo Urubu Come Carniça e Voa
De 4 a 7 de abril | De quinta a domingo, 20h
Direção: Mário Pazini│ Texto: Grupo Clariô
Ingressos: R$ 20 (meia: R$ 10). A bilheteria abre uma hora antes do espetáculo – um ingresso por pessoa



Palestras-debate, coordenadas por Leonel HenckesGratuitas, com formato interativo, ministradas por profissionais de excelência na área de artes cênicas.

As Influências Estéticas da Dramaturgia Negra no Brasil
5 de dezembro | Quarta, 19h
Prof.Dr.Júlio Moracen Naranjo (UNIFESP)

Assinatura e Autoria do Negro na Dramaturgia Brasileira
12 de dezembro | Quarta, 19h
Profª.Drª Evani Tavares (UFBA)

O Personagem Negro na Ficção Dramática
16 de janeiro | Quarta, 19h

Prof. Dr. Joel Zito Araújo (ECA /USP)

A Criação Coletiva/Colaborativa na Dramaturgia Afro-Brasileira
30 de janeiro \ Quarta, 19h
Diretor Márcio Meireles (Bando de teatro Olodum)

A Dramaturgia Infantil sob o Olhar do Autor Negro e o Personagem Negro na Dramaturgia Infantil
20 de fevereiro | Quarta, 19h
Diretor-Ator Lázaro Ramos e Diretor Luiz Antônio Pilar

Impasses Poéticos na Cena Brasileira: Negra Cena de Alma Branca
27 de fevereiro | Quarta, 19h
Profª. Drª. Tania Brandão (UNI-RIO)

Transposição de Narrativas Literárias para a Dramaturgia Negra
06 de março de 2013 às 19h
Prof. Dr. Luiz Silva “Cuti” (Unicamp)

Questões para uma Dramaturgia Afro-Brasileira
20 de março | Quarta, 19h
Prof. Dr. José Fernando de Azevedo (EAD/ECA /USP)

O Estereótipo do Personagem Negro na Dramaturgia Brasileira
27 de março | Quarta, 19h
Diretora Fernanda Júlia (Cia. Nata de Teatro)

Dramaturgo Negro x Dramaturgia com Temática Negra
3 de abril | Quarta, 19h
Dramaturgo-ator Aldri Anunciação


Leituras dramáticas, com coordenação de Lilih Curi
Gratuitas

Virgínia, de Tássio Ferreira19 de dezembro | Quarta, 19h
Direção: Christian Duurvoort

Na África não tem Cowboy, de Ed Anderson Mascarenhas9 de janeiro | Quarta, 19h
Direção: Roberto Morettho

Matador de Meninos, de Uendel de Oliveira Silva9 de janeiro | Quarta, 19h
Direção: Julio Moracen

O Homem do Fundo do Mar, de Aldri Anunciação23 de janeiro | Quarta, 19h
Direção: Lilih Curi

Antes que Anoiteça em mim, de Elisio Lopes Jr.23 de janeiro | Quarta, 19h
Direção: Aldri Anunciação

Olorum, de Gildon Oliveira21 de fevereiro | Quarta, 19h
Direção: Carlos Francisco

A Velha Sentada, de Lázaro Ramos / Adaptação de Elísio Lopes Jr.22 de fevereiro | Quarta, 19h
Direção: Leonel Henckes

Corpo Frio, de Fernando Santana13 de março | Quarta, 19h
Direção: José Fernando de Azevedo

O Sol de Dezembro, de Diego Pinheiro13 de março | Quarta, 19h
Direção: Lilian Solá Santiago

10/01/2013

Crônicas de um Peladeiro - Michel Yakini






"Me contou que no jogo "Pelé saiu escrevendo, escrevendo, passou por todo time da Ponte, levantou grama, terra, bola, cal, tudo pra dentro do gol, meu irmão palmeirense falou: Que filho da mãe."  -  Trecho da crônica – Na meia esquerda: seu Antonio Leme ( Crônicas de um Peladeiro) 

(Comentário do texto - Mané de Lima Barreto)  Estou acompanhando com prazer suas crônicas e pensando como futebol dá assunto. Quem mora no "país do futebol" inevitavelmente vai falar dessa esporte uma hora ou outra. Arte, sempre exageradamente para muitos. Para outros é o primeiro assunto,  o que mantem a conversa viva, ou acaba de vez. E mesmo aquele que não gosta vai falar. É quase religião. O crente e o ateu falam em Deus, a partir de suas percepções. Com o futebol é a mesma coisa. Essa do mentiroso X Lima X Garrincha foi muito saborosa. Estou aqui lendo Clara dos Anjos e me enredando com as artimanhas do escritor em desenvolver o vilão Cassi, um violeiro de modas arrebatador de donzelas. O livro segue assim como as suas crônicas, espaçadas dentro do tempo mas unidas em temática e sensação de continuidade temporal.
 Clara dos Anjos, e outros, foram apresentados ao público em periódico da época, maestralmente com dosagem de interesse, prazer, curiosidade, nem mais, nem menos. Assim seguem as crônicas de um peladeiro, acima de tudo, está o prazer de escrever.

Acesse o blog: http://elo-da-corrente.blogspot.com.br 

02/01/2013

2013 - Raio de Sol


Começo o ano de 2013. Cada vez mais acredito em nossa responsabilidade em transformar o presente. Sendo aquariano do segundo decanato, tenho fé imensurável no futuro, na colheita do porvir. Porém, estabeleço deixar em minha vida, em meus textos, em minha caminhada, pequenas sementes em cada passada que faço no mundo. Plantio realizado de mão aberta na terra, afofando quando preciso, recolocando os seres fugidos de volta ao seu lugar, deixando minha essência e levando um bom bocado comigo. Confesso meu egoismo. Mais levo do que deixo. Busco a minha transformação. No final a chuva rega carinhosamente as sementes, quebrando sua dormência necessária dos sonhos. E quando não, arrasta em enxurrada o desnecessário. Assim é a vida. Repito agradecimento que faço no livro Enquanto o tambor não chama Agradeço a Xangô e todos os seus emissários, guerreiros, guardiões, espíritos que fortalecem meu caráter, os meus caminhos, dignidade, todos os que eu, humildemente, represento. É isso. Os trabalhos de 2013 estão abertos.