22/03/2012

I BIENAL BRASIL DO LIVRO E DA LEITURA - Brasília - DF

Evento traz a Brasília alguns dos mais importantes nomes da literatura africana contemporânea
21/março/2012


Considerado a principal voz da literatura africana contemporânea, o dramaturgo, poeta, romancista e crítico nigeriano Wole Soyinka será o grande homenageado da 1ª BIENAL BRASIL DO LIVRO E DA LEITURA. Primeiro negro a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1986, Soyinka vem ao Brasil em visita inédita para lançar The Lion and the Jewel, seu primeiro texto teatral, publicado originalmente em 1963. Além de Soyinka, outros dentre os mais importantes nomes do universo literário do continente africano virão participar do seminário A LITERATURA AFRICANA CONTEMPORÂNEA. Durante dois dias, eles em Brasília, num encontro que se configura histórico.

Além de Soyinka, estão confirmadas as participações de Kangni Alem, premiado autor togolês, Conceição Lima, considerada a maior poeta viva de São Tomé e Príncipe; Paulina Chiziane, uma celebridade em Moçambique, com uma obra a favor dos direitos humanos; Germano Almeida, cuja obra desmascara a hipocrisia da vida pública e privada da sociedade de Cabo Verde; Abdulai Silá, autor do que é considerado o primeiro romance da Guiné Bissau; e o jovem angolano Odjaki, radicado no Brasil e vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Juvenil com o romance Avó Dezanove e o Segredo do Soviético.

A participação de autores do continente africano tem início no dia de abertura da BIENAL, com a homenagem a Wole Soyinka, no Museu Nacional. O autor fará uma palestra às 20h30. E no estande da editora Geração Editorial estará sendo lançado The Lion and the Jewel.

O seminário A LITERATURA AFRICANA CONTEMPORÂNEA acontece nos dias 15, às 18h, e 16 e 17 de abril, de 10h às 12h30, no Auditório Nelson Rodrigues, do pavilhão montado para o evento na Esplanada dos Ministérios. No dia 15, estarão na mesa de debate Conceição Lima e Germano Almeida, com mediação de Regina Vecchia, doutora em Letras pela USP e professor de Literatura Africanas de Língua Portuguesa na mesma universidade. E no último dia do seminário, participações da moçambicana Paulina Chiziane, do angolano Ondjaki, Abdulai Sila, da Guiné Bissau, e mediação de Eduardo Assis Duarte, professor da Faculdade de Letras da UFMG.



PROGRAMAÇÃO

SÁBADO, DIA 14

20h30 – Homenagem e palestra com Wole Soyinka – Museu Nacional



DOMINGO, DIA 15

18h – Abertura do Seminário A LITERATURA AFRICANA CONTEMPORÂNEA – Aud. Nelson Rodrigues – Com Kangni Alem (República do Togo). Mediação: Zulu Araújo (DF)



SEGUNDA, DIA 16

10h30 – Seminário A LITERATURA AFRICANA CONTEMPORÂNEA – Aud. Nelson Rodrigues

Com Conceição Lima (São Tomé e Príncipe) e Germano Almeida (Cabo Verde). Mediação: Rejane Vecchia (SP)



TERÇA, DIA 17

10h30 – Seminário A LITERATURA AFRICANA CONTEMPORÂNEA – Aud. Nelson Rodrigues

Com Paulina Chiziane (Moçambique), Ondjaki (Angola) e Abdulai Sila (Guiné-Bissau). Mediação: Eduardo Assis Duarte (MG)





AUTORES CONVIDADOS

SOYINKA

Nascido em 1934, em Abeokuta, Nigéria, Wole Soyinka participou ativamente da história política de seu país. Em 1967, durante a guerra civil, foi preso acusado de conspiração a favor dos rebeldes. Ao longo de sua carreira literária, publicou em torno de 20 obras. Como dramaturgo, Soyinka inspirou-se no tradicional teatro africano, baseando-se nas histórias de sua tribo de origem, a iorubá. The Lion and the Jewel um de seus primeiros trabalhos, foi escrito no período em que viveu em Londres, onde se graduou doutor em 1973. Como romancista, escreveu The Interpreters (1965), The Man Died: Prison Notes (1972) e, Aké (1981). Sua poesia – que apresenta uma forte conexão com suas obras teatrais – foi publicada em Idanre, and Other Poems (1967), Poems from Prison (1969), A Shuttle in the Crypt (1972) the long poem Ogun Abibiman (1976) and Mandela's Earth and Other Poems (1988).






KANGNI ALEM

Romancista e dramaturgo nascido na cidade de Lomé, no Togo, é PhD em francês e literatura africana e francesa e diplomado em semiologia teatral. Já publicou mais de 10 livros e é professor de teatro e literatura na Universidade de Lomé. Em 2003, recebeu o Grande Prêmio Literário da África Negra por seu livro Coca Cola Jazz. Seu trabalho explora a memória política e histórica da África, abordando temas como escravidão, ditadura, conflitos raciais e culturais. Um de seus livros mais conhecidos é Escravos, lançado no Brasil pela Editora Pallas. É fundador do Ateliê Teatral de Lomé.






PAULINA CHIZIANE

Primeira mulher moçambicana a publicar um romance, Paulina Chiziane lançou o seu primeiro livro, A Balada de Amor ao Vento, em 1990. Recusando o rótulo de romancista, a autora se diz contadora de histórias, arte que aprendeu com a avó, escreveu sobre a vida em tempos difíceis; a esperança, o amor, as mulheres e sobre a África do passado e do presente. Durante a juventude, participou ativamente da cena política de seu país como membro da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), mas acabou por abandoná-la para se dedicar à literatura. Credita uma aproximação mais concreta à realidade de seu país a sua colaboração com a Cruz Vermelha de Moçambique. Ventos do Apocalipse (1993), O Sétimo Juramento (2000) e Niketche: Uma História de Poligamia (2002) são outros romances da autora.




GERMANO ALMEIDA
Nascido na ilha da Boavista, Cabo Verde, em 1945, estreou como contista no início da década de 80. Foi cofundador e colaborador da revista cabo-verdiana Ponto & Vírgula. Apesar da importância de sua obra de ficção – que abriu caminho para uma nova etapa na rica história literária de Cabo Verde –, o romance O Testamento do Senhor Napumoceno da Silva Araújo é seu único título publicado no Brasil. Autor de dezenas de obras, Almeida usa o humor com maestria, seja pela ironia ou pelo sarcasmo mais declarado. Sua obra desmascara a hipocrisia da vida pública e privada da sociedade de Cabo Verde.





ABDULAI SILÁ
Um dos mais importantes autores da literatura de Guiné-Bissau, Silá deu início à chamada “corrente ficcional original”, ao escrever Eterna Paixão – considerado o primeiro romance escrito naquele país. O livro enfoca, principalmente, a transformação pós-colonial da sociedade guineense, assunto reincidente em romances publicados posteriormente. Apesar de sua intensa dedicação pela literatura, Silá é engenheiro eletrônico formado pela Universidade de Dresden (Alemanha), além de economista e investigador social. Um pioneiro, além de ter escrito o que se considera o primeiro romance de seu país, Silá também é autor do primeiro texto teatral, As Orações de Mansata” e está escrevendo a primeira ópera. O escritor ainda atua, através de uma empresa da qual é cofundador e diretor, na democratização do acesso à tecnologia.




CONCEIÇÃO LIMA
Considerada a maior poeta viva de São Tomé, Conceição Lima tem seus trabalhos publicados há quase três décadas. Sua poesia tem servido de inspiração para teses literárias em Portugal e no Brasil, no entanto, foi apenas em 2004 que O Útero da Casa, seu primeiro livro, foi publicado. Publicou em 2006 A Dolorosa Raiz do Micondó e em 2011 O País de Akindenguê. Estudou jornalismo em Portugal e, depois da abertura multipartidária em seu país, fundou, em 1993, o já extinto semanário independente O País Hoje. Licenciada em Estudos Afro-Portugueses e Brasileiros pelo King’s College de Londres, é também mestra em Estudos Africanos, com especialização em Governos e Políticas em África. Apresentadora do programa televisivo Em Directo, da TVS, o único a promover a polêmica, fazendo críticas e comentários ao governo do país. O programa foi tirado do ar em dezembro de 2010. Atualmente, apresenta o programa Hora da Poesia, na Rádio Vizela.




ONDJAKI
O interesse do poeta Ondjaki pela literatura começou cedo, aos 13 ou 14 anos de idade quando já percorria de quadrinhos de Asterix até obras de Jean-Paul Sartre. Estudou em Luanda e fez sociologia em Lisboa. Em 2000, publica o primeiro livro, Actu Sanguíneu, que conquista o segundo lugar no concurso literário António Jacinto, de Angola. Estuda na Universidade de Columbia, em Nova York, e filma o documentário Oxalá cresçam pitangas – histórias da Luanda, com Kiluanje Liberdade. Recebeu o Grande Prêmio de Conto Camilo Castelo Branco, em 2007, pelo livro Os da Minha Rua, e na Etiópia conquistou o Prêmio Grinzane de melhor escritor africano de 2008. Em outubro de 2010, ganhou, no Brasil, o prêmio Jabuti na categoria Juvenil com o romance AvóDezanove e o Segredo do Soviético. Suas obras já foram traduzidas para diversos idiomas, como francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e chinês. Desde 2007 Ondjaki mora no Rio de Janeiro e é fã ardoroso da literatura brasileira. Sua trajetória artística passa também pela atuação teatral e pela pintura.


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A I BIENAL BRASIL DO LIVRO E DA LEITURA terá como homenageados o escritor nigeriano Wole Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura, e o brasileiro Ziraldo. A coordenação literária é do jornalista e escritor Luiz Fernando Emediato, coordenação geral de Nilson Rodrigues e realização da Secretaria de Cultura e da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal, em parceria com o ITS – Instituto Terceiro Setor. O projeto é inserido no Plano do Livro e da Leitura do Distrito Federal – Brasília Capital da Leitura. O evento acontecerá na Esplanada dos Ministérios, num espaço de cerca de 50 mil metros quadrados, com área coberta para receber 158 estandes.





Serviço:
I BIENAL BRASIL DO LIVRO E DA LEITURA14 a 23 de abril de 2012 
 Esplanada dos Ministérios
Brasília - DF 

MAIS INFORMAÇÕES: (61) 3034.2985 / (61) 3321.9922
contato@bienalbrasildolivro.com.br

12/03/2012

Como comprar "Enquanto o Tambor não Chama"








Olá, para comprar “Enquanto o tambor não chama” siga as instruções a seguir.


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05/03/2012

Quilombo X Marinha





Campanha “Somos Quilombo Rio dos Macacos”

Nota Pública

Nós, comunidade e organizações de movimento social em defesa da permanência do Quilombo Rio dos Macacos trazemos aqui ao público o nosso entendimento sobre a reunião realizada no dia 27 de fevereiro de 2012 com a Secretaria Geral da Presidência da República, representada por Diogo Santana.

Foi afirmado, na referida reunião, pelo Governo Federal que o Quilombo do Rio do Macaco não seria expulso do seu território. No entanto, na prática a União Federal, através da Advocacia Geral da União, contrariando o que se comprometeu com o Quilombo Rio do Macaco, se limitou a fazer um pedido nas ações judiciais que move contra a comunidade de adiamento da expulsão do Quilombo por mais 5 meses. Segundo a União esse seria o prazo necessário para garantir uma retirada pacífica dos quilombolas. Por isso, reafirmamos que o Quilombo Rio do Macaco e seus apoiadores continuam lutando para garantir o direito de permanência da mesma em suas terras, pois querem continuar em seu território tradicional e não vão sair pacificamente. É necessário nos manter em estado de alerta, articulad@s para que o caso não caia no esquecimento e os poderes instituídos se sintam a vontade para tomar as terras do quilombo sem resistência organizada. Afirmamos aqui que não aceitaremos as tais “condições para uma saída pacífica da comunidade" através de crédito fundiário para aquisição de outra área ou qualquer que seja a alternativa. Nenhum direito à menos!!! O Quilombo é nosso antes da Marinha do Brasil chegar a aquelas terras.

O apoio dado pela Fundação Cultural Palmares e pelo Incra ainda é insuficiente. Embora a Fundação Palmares tenha certificado a comunidade como quilombola e o INCRA tenha iniciado o procedimento de regularização, ambos ainda não interviram no processo judicial em defesa da quilombo, o que é fundamental para garantir a posse da comunidade sobre seu território. Consideramos lamentável a postura do Governo Federal, da Presidenta, em particular, que como comandante-chefe das Forças Armadas teria poder para averiguar as violações aos direitos humanos por parte da Marinha e os contínuos abusos e ameaças sofridos pelos quilombolas daquela comunidade, e, principalmente, desistir das ações judiciais que visam a retirada forçada do quilombo de nossas terras.

Nesta reunião realizada dentro da comunidade no ultimo dia 27 de fevereiro, representantes do governo federal, parlamentares, imprensa e movimentos sociais puderam ver com seus próprios olhos as condições as quais os moradores do Quilombo Rio dos Macacos, estão sendo submetidos todos os dias. As pessoas foram listadas e fotografadas na entrada, e a imprensa foi impedida de entrar pelo posto da Marinha sendo desta forma obrigada a contornar toda área do quilombo e pular a cerca para acompanhar a reunião.

As violações aos diretos humanos continuam fazendo parte do cotidiano dentro do quilombo. Nós - @s quilombolas - continuamos impedid@s de plantar e pescar, de ter acesso à energia elétrica, à água potável e ao saneamento básico. Continuamos sendo intimidados e violentados, além de termos sérias limitações ao nosso direito de ir e vir, o que gera uma situação de instabilidade, insegurança e temor na comunidade; a maioria de noss@s filh@s são analfabet@s porque a entrada e saída da comunidade é continuamente inviabilizada.

Apontamos ainda a necessidade de imediata instauração de uma Câmara de Negociação (prevista no decreto 4887/2003), a qual deve ser responsável por conciliar os diversos interesses envolvidos, garantindo necessariamente a permanência de toda a comunidade em nosso território tradicional.

Diante da situação grave de insegurança alimentar - já que há muito não podemos plantar nem pescar na região, como faziam nossos antepassados - a Campanha Somos Quilombo Rio dos Macacos está organizando uma coleta de alimentos para doação no Quilombo Cecília (Rua do Passo/Pelourinho), e no CEPAIA, sábado, dia 3/03, às 14h, no debate com as comunidades quilombolas de Marambaia (RJ), Alcântara (MA) e Quilombo Família Silva (RS). No dia 04 de março será realizado um ato na comunidade para a entrega dos alimentos arrecadados. A concentração do ato está marcada para as 09 horas no posto Inema, onde continuaremos a arrecadação e entregaremos alimentos.

Por último, queremos reafirmar que dignidade não se negocia, nosso quilombo também não. Os nossos antepassados nos veriam como traidores se negociássemos nossas terras. Continuaremos em luta pois esta se configura como mais uma batalha no enfrentamento ao processo de genocídio a qual é historicamente submetido o povo negro neste país. FRENTE AO GENOCÌDIO DO POVO NEGRO, NENHUM PASSO ATRÁS!!!

Comunidade do Quilombo Rio dos Macacos
Campanha Somos Quilombo Rio dos Macacos

01/03/2012

Miriam Alves- Resenhar

Leia o que Miriam Alves escreveu sobre o Tambor no blog Resenhar:


Enquanto o Tambor não chama. Livro de Sergio Ballouk.


Primeiro livro solo de Sergio Ballouk, paulistano que nasceu do ano de 1967 em pleno carnaval. Ouviu o chamado do Tambor e deu o primeiro choro para anunciar que se inseria no desfile da existência. No bairro da periferia de São Paulo, Vila Guilherme, o tambor da escrita despertou o poeta e escritor no menino, adolescente, adulto que imaginava mundos a partir do seu mundo e brotaram nos sons dos tantans, tantas palavras.
O tambor um instrumento que se toca com as mãos nuas (na maioria das vezes) sobre a membrana (pele) curtida ao sol e esticada sobre um suporte de ressonância, em rituais, orquestra e baterias de escola de samba, que ao toque emite sons que seduzem. As palavras são sons: que falam; que avisam; que choram; que riem. Sons que vão ao longe, longe percorrendo, penetrando emoções, sons prontos para se incorporarem em poemas e ficções, eletrificando consciências entrelaçando os sentires cadenciando, chamando.
O tambor já está chamando, aguce os ouvidos no baque, tibaque, tibaque, taque, baque, tibaque “no centro do terreiro/ e a roda grandiosa em festa/ é Exu Giramundo ou é o mundo que gira?”. O poeta vai afinando os versos encontrando-se na melodia da escrita, aguardando a chamada de mais um poema que vem vindo: