24/07/2010

DÊ VOZ A UM POEMA - sarau



DÊ VOZ A UM POEMA

Complexo do Carandiru. Temido pelo massacre mais escandaloso da história prisional. Conheço gente que até hoje não vai ao parque por tanta coisa que aconteceu lá. Quando moleque ouvi estórias de carcereiros sobre presos que eram perseguidos pela cavalaria bairro afora. Muitos se embrenhavam em fuga nas diversas lagoas da Vila Guilherme. Nem todos voltavam vivos. O bairro era conhecido pelo Lixão da Vila Guilherme, as lagoas e a casa de detenção, bem depois pelo Center Norte,faculdades, etc... Carandiru significava o presídio, nada mais. Muita coisa mudou, implosões, obras, o Parque da Juventude e da estrutura de um pavilhão, criaram a belíssima Biblioteca São Paulo, e a menos de um mês o Carandiru ganhou uma das mais importantes referências : “Dê voz a um poema” sarau organizado por Carlos Galdino, Lid's Ramos e Marcos Pezão. Valeu.

23/07/2010

Sergio Ballouk lê poema no lançamento do Cadernos Negros 31



Lançamento de Cadernos Negros é sempre um momento especial. Tem show, consciência, palestra, gente bonita, africanidade. Tem gente que espera o ano todo, prepara o traje especial, já que o evento merece. Tem aquele que coleciona os livros, tem aquele que ganha, aquele que pede emprestado, tem aquele que ganha como presente ( essa é a melhor opção). Mas ficar sem o seu livro não, ah, isso não! Tem autor da zona sul, norte, leste ou oeste, tem aquele que vem do Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, África ( o velho continente). Tem aquele que vem em espírito, em alma, em desejo. E tem aqueles que não vem mesmo, e ficam tristes até o ano seguinte. E todos aqueles que vem sabem do sentimento de participar de um momento importante.

15/07/2010

Projeto Escritos Negros

Dia 10 de julho, sábado passado, fomos no CCJ prestigiar o Marcio Barbosa do Quilombhoje, no Projeto Escritos Negros, organizado pelo Coletivo Literatura Suburbana. Digo "fomos" porque levei irmã, sobrinhos, mulher e filhos. Eita família unida em prol da literatura, sô!
Marcio não fez por menos e em sua palestra detalhou todo o processo para conceber, anualmente, ora poemas, ora contos, um número do Cadernos Negros. É muito trabalho e organização, e acrescente um bocado de determinação, já que está no número 33. Eu, Esmeralda e Miriam Alves, participamos do sarau que veio a seguir. E nesses lugares em que a vida de fato tem mais sentido, em que as palavras tornam-se lembranças vivas, foi prazeroso ver e ouvir a Miriam contando um pouco de suas viagens literárias, entrevista para rádio Colombo, disponível na internet, sua nova publicação que breve será lançada, pois bem, coisas que postarei numa próxima vez.

Dia 18/07 será a vez de Akins Kinte e Patota d'Firmino.


No sarau recitei o poema:


NEGRO ABUSADO

corre pela clareira, aldeia, capão e vargem
negro abusado de sapato e carta nas mãos
corre gritando, anunciando que é:
o corte do machado
o grito da cachoeira
o terror negro encarnado
palmarino cansado de engolir saliva
e em cada toque
dezenas se deslocam pra fazer correria
correm pelas escadarias, ruas e avenidas
negros fortalecidos, vestidos e com livros nas mãos
correm gritando, anunciando o que querem:
escolas, dentistas, seguro de vida
assistência médica, casa e comida
e é para ontem
e já não é mais sonho
o corte do machado
o grito da cachoeira
o terror negro encarnado
palmarino que engoliu saliva
agora cospe e diz que tá com raiva
do espera um minutinho, do tudo passa
se não passa é assim mesmo, só um cadinho
cuidado: palmarino zangado passa por cima
e arregaça palavras do caminho